Para entendermos o simbolismo, devemos analisar o seu contexto histórico.
No final do século XIX a frança vinha sofrendo mudanças na economia e em seu pensamento decorrentes da revolução industrial, com a valorização da ciência do racionalismo e do materialismo. O simbolismo vem a ser uma negação à esses valores com sua tendência subjetiva e não-racional, se opondo portanto ao realismo e ao naturalismo.
O quadro abaixo, chamado de Nenúfares, ou retratos verdes, de Claude Monet, representa bem essa diferença quanto à representação da realidade, notem que não há uma definição completa da imagem, vemos apenas contornos, que apenas sugerem o que pode ser a realidade, cabe ao leitor entender o texto, nada é declarado, tudo é sugerido, tudo é vago.
Essa é uma das principais características do simbolismo, a subjetividade, expressa com sentimentos negativos em seus textos, o desejo de morte, que representa a fuga da realidade, da dor do poeta, o chamado escapismo. O homem precisava se libertar do corpo, da carne, para que pudesse alcançar a sublimação, a libertação da alma, com isso presenciamos mais uma característica do simbolismo, o misticismo e a religiosidade. Pode ser representada também através dos sentidos, da sinestesia que vem a ser a mistura dos 5 sentidos, olfato, paladar, visão, e tato, onde o poeta busca dar a sensação desses sentidos em sua poesia, como por exemplo Um perfume que evoca uma cor (olfato + visão).
"Tudo! Vivo e nervoso e quente e forte,
nos turbilhões quiméricos do Sonho,
passe, cantando, ante o perfil medonho
e o tropel cabalístico da Morte!"
- a sinestesia, presença do sonho e a referência ao misticismo da Cabala.
Essa busca de fuga da realidade, deu aos poetas simbolistas a fama de nefelibatas, isolados em sua torre de marfim, em seu mundo interior.
Outra caracetrística dos simbolistas é a musicalidade, segundo o ensinamento de um dos mestres do simbolismo francês, Paul Verlaine, que em seu poema "Art Poétique", afirma: "De la musique avant toute chose..." (" A música antes de mais nada..."). Os poetas simbolistas escolhem as palavras mais pelo efeito musical que possam causar que pelo sentido.
"Visões, salmos e cânticos serenos,
surdinas de órgãos flébeis, soluçantes...
Dormências de volúpicos venenos
sutis e suaves, mórbidos, radiantes..."
- vocábulo litúrgico e novamente a musicalidade e a sinestesia
Reparem na métrica e na rima de cada verso.
Não se esqueçam também da aliteração:
Aliteração – Repetição seqüencial de sons consonantais. A seqüência de palavras com sons parecidos faz que o leitor menospreze o sentido das palavras para absorver-lhes a sonoridade. É o que ocorre nos versos seguintes, de Cruz e Sousa:
Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpia dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes,
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.
(Violões que Choram)
Assonância – É a semelhança de sons entre vogais de palavras de um poema.
Maiúsculas no meio do verso – Os poetas tentam destacar palavras grafando-as com letra maiúscula.
Cor branca – Principalmente Cruz e Sousa tinha preferência por brancuras e transparências.
• Expressão de estados da alma profundos e complexos.
• Sonho; não o sonho sentimental dos Românticos, mas os sonhos mais escondidos do ser humano.
• Presença do inconsciente e do subconsciente.
Por hoje vou ficando nas características do Simbolismo, logo farei outro post falando sobre o Simbolismo no Brasil e alguns de seus autores.
Assistam a vídeo aula






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